terça-feira, 1 de novembro de 2016

Elementos para a montagem

https://youtu.be/1QcjGvQUuZU
Inicialmente, xs Fernandxs deram um saco plástico para cada um dos atores e lhes propuseram que explorassem cada variação de sons, objetos ou formas que poderiam surgir a partir do saco. Em seguida, cada um escolheu 3 movimentações e apresentou em círculo. Por fim, todos juntos escolheram algumas dessas formas e criaram uma sequência de movimentos. Foram feitos comentários para que houvesse uma maior sincronia entre eles, precisão dos movimentos e que a organização espacial fosse melhor pensada.
No fim, os diretores explicaram que o saco plástico seria um elemento com o qual eles provavelmente trabalharão na montagem do espetáculo, bem como o trabalho de coro.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Encerramento do processo de preparação: Apresentação de Performances / Inicio do processo de montagem

Na aula do dia 17/10 os alunos tiveram alguns minutos para se aquecerem e depois apresentarem individualmente uma performance que tiveram de pensar durante a semana do feriado do dia 12/10. Fernando avisa aos alunos que eles poderão usar algumas coisas das performances de cada um para a montagem final.

Os alunos tiveram toda a liberdade de criar as performances da forma como eles queriam: com um tema a escolha de cada um, com ou sem texto, música, iluminação, dança, figurino e etc.

Segue abaixo fotos e vídeos das performances apresentadas por alguns alunos:

















 




No final da aula, a turma sentou em roda para conversar:
Os Fernandxs anunciaram que esta aula foi o encerramento do processo de preparação e que se inicia o processo de montagem. Porém eles jogaram uma questão um pouco problemática para a turma: fazer uma montagem para ensaiar e apresentar do lado de fora da sala de ensaio ou dentro da sala de ensaio. A dificuldade que tiveram de tomar uma decisão se deu porque em dezembro (nas datas das apresentações 17/12 e 18/12) poderá estar chovendo.

Fernando alertou que não poderiam começar a ensaiar do lado de fora, para depois apresentar em sala de ensaio. Apresentar do lado de fora pode ter muitas interferências de barulhos, carros passando, cigarras, a relação com o público é diferente, a projeção da voz e etc. Então não poderiam ter como depois fazerem uma adaptação dos ensaios do lado de fora para dentro da sala. 

Decidiram então fazerem uma votação: 7 alunos queriam ensaiar e apresentar do lado de fora enquanto 4 alunos queriam dentro da sala. 

Conversaram mais a respeito da chuva, como o público iria poder assistir, planejarão por lonas para proteger da chuva, entre várias outras dificuldades que teriam. 

A turma pareceu ficar ainda mais confusa em tomar esta decisão. Fizeram então outra votação: dessa vez 5 alunos queriam fora enquanto os outros 5 dentro. EMPATOU! E agora?

Depois de muita conversa, Fernandxs lembraram que alguns alunos tinham faltado esta aula e então decidiram que era pra todos os alunos pensarem bem a respeito desse assunto, conversar com os que faltaram para aí sim na próxima aula, depois de lerem a peça, decidirem de vez aonde vão ensaiar e apresentar. Lembraram também que a primeira semana de montagem será dentro da sala de ensaio de qualquer forma.

Fernando termina a conversa pedindo para que os alunos guardem os figurinos que usaram durante as performances porque eles poderão ser usado nas próximas aulas para a montagem da peça. 

Segue abaixo o vídeo do começo dessa conversa em roda:



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

#diariodebordo (03.10.2016)


 
1º exercício: A queimada.
     
    A aula começou com uma caminhada em fila indiana com todos de mãos dadas até a quadra de esportes Atrás do teatro.
        O grupo vai jogar uma queimada. Fernando fala do espaço - campo de futebol - ser esse espaço amplo, arena, aberto.
        Sao dois times. Um contra outro, os dois tem seus gritos de guerra.
        A primeira experiência é a provocação de um a um, time contra time, usando o grito de guerra como arma.
As regras da queimada são as originais:
        1º: jogo sem pessoa para cruzar
        2º: cruzador sem possibilidade de queimar
        3º: cruzador podendo queimar
O jogo possibilita aquecer e unir o grupo energeticamente. Cria atmosfera de harmonia, encontro e grupo.

2º exercício: Solo teatral

        A exposição é o ponto de partida para que cada um se dirija ao palco. As cenas foram  dadas pelos diretores. São monólogos de vários períodos, personagens e lugares do teatro, as diversas dramaturgias foram escolhidas pensando em cada um dos integrantes: entregues na semana anterior, a apresentação sucede o trabalho de mesa (contexto da peça, onde? Quando? Como? Quem?).
        O exercício é de apresentar uma vez e na segunda ser dirigido por Fernandxs pausadamente: pontuam em quesitos de atuação - o peso do corpo, a voz mais grossa, o pisar dos dos pés, a movimentação e o foco do olhar, dicção, modulações, gráfico da cena, o tempo de uma ação, personagem - e o mais interessante é observar respostas boas em atores que estão em cena em processo de transformação e reconhecimento de elementos básicos para o processo de presença e consciência cênica.  Alguns atores ainda apresentam traços de iniciantes, porém em uma fração deles temos aqueles que se percebem mais em cena, e acabam compreendendo melhor como utilizar os comandos dos diretores. 

 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

#diáriodebordo (26.09.16)

O primeiro momento do encontro foi comumente como os anteriores, diversificando alguns pontos em relação a alongamento e aquecimento com Fernanda. Exercícios como enroscar o corpo, encontro de vetores em torções, posições de Yoga, ativação do centro e das bases, coordenação motora e respiração vão contribuindo para o alongamento. A partir daí, Fernanda sugere uma sequência de movimentos do Yoga, ressaltando a importância da continuidade orgânica do movimento e consciência corporal, gerando então o aquecimento no corpo. Nesse momento, percebe-se nos alunos momentos de embatias e simpatias com o desafio das propostas. Algumas pessoas em estado de familiarização com o movimento e outras contempladas pela descoberta, a turma se põe em postura diversificada. 

A seguir, Fernando inicia o preparo vocal. A turma se põe em roda, são propostas por Fernando três longas respiradas, transitando para a respiração e inspiração produzindo o som "boca que usa" hmmmmmmmm..., onde ele ressalta que o pensamento é de esvaziar os pulmões e que é preciso liberar as tensões e naturalizar a respiração. Eles desenvolvem o exercício para que se conclua o som também com as vogais, e Fernando orienta para que pensem a relação com os diferentes locais de vibração no corpo diante de cada vogal. 

Para exercitar o diafragma, o exercício é feito também de forma estacada, ainda utilizando o som das vogais. Os alunos riem, sentem-se inquietos e tem-se de gancho para provocação de Fernando dizer que o estado do corpo se modifica ao preparar-se para a promoção do som. A partir daí é linkada também a observação e atenção às intercostais e como se desenvolvem. 

A turma é dividida em duplas, para que cada aluno tenha a experiência de tocar as intercostais do colega enquanto o mesmo respira. O exercício também é feito no chão, para se ter a percepção do apoio das costelas de forma mais consistente. 

A turma agora se direciona a um aquecimento maior da voz, com vibrações dos lábios, exercícios de extensões vocais que propõem a troca de freqüência do som que se emite, e cantam a canção Marinheiro Só, quando Fernando divide a turma em graves e agudos. 

Terminado o que entende-se como momento introdutório na aula, é proposto um exercício em que a turma posiciona-se em roda e aleatoriamente, porém um de cada vez, cada aluno vai ao centro e diz sim ou não em determinada intenção, e todos os outros repetem. Depois de algumas vezes, já não se diz sim ou não, mas uma palavra, depois uma frase e depois ainda uma frase do texto que cada aluno recebeu na aula anterior. 

No encontro que antecedeu a este, os alunos receberam, cada um, um texto de determinado autor e determinada época do teatro. Em roda, os alunos sentam-se em ordem de época dos textos. A cada leitura, Fernanda e Fernando abrem expoentes sobre a história e o tempo áureo do teatro, sobre a tragédia, o drama e a comédia, os autores e suas provocações sociais, linguagens, questionamentos, associações e as desassociações  do teatro com a igreja e o estado.  A ideia então é, nem que seja minimamente, contextualizar os alunos ao que já foi, como se desenvolveu e como tem sido feito teatro e que lugares possivelmente eles podem visitar quanto poética. 


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

#diáriodebordo (19/09/2016)

Primeira parte:

Fernanda começa puxando os aquecimentos corporais com exercícios de alongamento e Fernando continua explorando a vocalidade e os movimentos faciais, ambos utilizando-se da respiração como suporte. Os exercícios são feitos acompanhados de diferentes músicas.

Segunda parte

Fernando explica para a turma que a partir deste momento começarão a etapa da oficina em que trabalharão o discurso, a política, a construção de narrativas e a perceber o lugar de fala de cada um. Para isso, propõe um exercício de imaginação onde, de olhos fechados, os alunos recebem palavras de estímulo e o aluno tocado pelo condutor deve descrever o objeto/lugar imaginado. Por exemplo, a palavra foi “carro” e a pessoa descreve “um fusca amarelo bem velho descendo uma ladeira”. Passado este exercício, Fernando conduz o próximo, que consiste em uma pessoa dizer para a outra que a ama e como resposta, ouvir “eu te odeio”. As frases devem se repetir com variações de intenção.

Dois grupos são formados: um grupo dos que odeiam e outro dos amantes. Os times se tornam adversários de um jogo de vôlei que acontece em câmera lenta e que tanto a bola quanto a rede são imaginários.

Fernando os separa em duplas novamente e eles começam uma briga física, mas a distância, sem toques. Os exercícios também são acompanhados de músicas estimulantes. – Percebemos a partir deste exercício que a energia da turma se intensificou e que o estado de presença também aumentou consideravelmente. A exaustão pareceu ser um recurso que funcionou com eles.

Terceira parte

Fernanda entregou um texto para cada um deles e pediu que decorassem e montassem uma cena para ser apresentada em duas semanas. Fizeram uma leitura em voz alta de cada um dos textos, que variavam em ordem cronológica, passando por obras clássicas
do teatro, até peças contemporâneas. O primeiro contato de cada um deles com seu próprio texto foi auditivo (cada um lia em voz alta o texto de outra pessoa).

Quarta parte

Foram apresentadas três cenas criadas em cima das letras de três músicas escolhidas por Fernando e Fernanda na aula anterior. Os alunos tiveram o fim de semana para se reunir, ensaiar e apresentar, utilizando recursos de encenação, técnicas e estilos já vistos
em sala anteriormente. Foi feita uma roda de conversação no final onde cada um deu o feedback das cenas apresentadas.

Entrevista com Fernanda Alpino e Fernando Carvalho

1 - Por que vocês decidiram montar uma tragédia grega atualmente? 

Na verdade, faltam motivos que nos desmotivem a montar uma tragédia. A gente parte de uma situação política atual e compreendemos que o teatro é político. Vivemos uma tragédia anunciada. Uma tragédia é aquilo que não tem escapatória. Nós víamos uma coisa que ia acontecer, uma jogada política ensaiada e trágica. Aconteceu, e estamos aí vivendo, só assistindo. Não é tomando nenhum posicionamento de A ou B, mas nós vivemos uma tragédia no país. Então difícil é não montar uma tragédia nesse momento. Os Sete contra Tebas surge de forma impactante para nós, pois casa com o contexto não só politico, ou seja, em relação aos políticos, mas em relação ao contexto social atual; as interações e as relações binárias, polarizadas e maniqueístas; os ódios e os amores vividos de formas muito radicais. Parte portanto da vontade de abrir um pouco mais essas dicotomias gerais.

2 - Vocês já assistiram alguma montagem de espetáculo baseado nesse texto? Se sim, isso os inspirou de alguma forma? 

Não. Temos o material de estudo que a gente já carrega sobre as encenações da época. Mas nós não vamos montar a peça, tampouco adaptar, e sim nos apropriarmos dos mitos da obra, que enfim nos geram pretextos para criação de cenas. A partir daí, não se põe muitos limites. Partimos dessas referências históricas, investigações arqueológicas com todo respeito ao autor e ao que ele representa, este que da tragédia grega foi o que tinha a dramaturgia um pouco mais musical, um pouco mais poética que outros como Eurípides e Sófocles que foram ficando mais dramáticos. De forma alguma desmerecemos, negamos ou nos colocamos como rebeldes "cagando para a obra". Temos uma pesquisa em cima do período e do próprio autor e o que ele representa para nós, mas privamos muito pela contemporaneidade, para que o teatro se relacione com os alunos na fórmula e a partir dela nós transformarmos os texto. Não queremos encena-lo simplesmente, considerando que a obra e a sua poética propõem uma gama de imagens não tornando as cenas tão fechadas. Pensamos em trazer o texto para o mesmo lugar que nós. Ele não é mais importante na montagem do que a direção, a atuação, a luz, a música, a dramaturgia, o próprio contexto que vivemos agora, e nem tampouco essas são maiores do que o texto.


3 - De que forma então, a obra Os Sete contra Tebas servirá de estímulo, pretexto, inspiração para a criação do espetáculo? 


Pretendemos utilizar a estrutura narrativa, nos apropriarmos um pouco dela e também dos mitos, que estão relacionados às sete batalhas, às sete portas e aos embates entre as figuras da obra, realizando analogias com o contexto atual social e politico.


4 - Há uma estética ou linha de interpretação pré determinada, ou vocês pretendem localizar um conceito junto com a turma?


Por sermos um grupo de teatro, nós mediamos essa oficina com o que a gente pode e com o que queremos. Isso reflete na estética que a gente trabalha com os alunos, ou seja, a oficina reflete a nossa estética. E é como uma via de mão dupla, a gente aprende mais sobre o que é que a gente faz e eles aprendem também um pouco do que podemos passar. Temos sete anos de grupo e acho que essa nossa estética nós fomos construindo. Talvez se ligue a estética relacional, relacionada com o olhar do outro, com a presença, com público. O público sempre está como corpo presente também, não só como observador voier. 
Já relacionado a linha de interpretação, nós desde o início desse trabalho, já estamos direcionando o curso para um flerte com o performativo, no sentido em que eles (alunos) se coloquem enquanto identidades políticas e criadoras. Essa busca pelas identidades parte pela escolha do texto até que eles identifiquem esses papeis sociais e políticos, e isso já flerta com o performativo, porque eles vão ter que se colocar quanto pessoas. Mas não é no lugar daqueles depoimentos pessoais deprimidos ou engraçados, mas sim em que o interprete se colocará, com uma visão política e histórica, o que ele representa como corpo e cidadão. A dramaturgia e a estética estão totalmente relacionadas com os alunos. 













5 - É interessante trazer pontos que salientam a fórmula do teatro do Liquidificador? Há uma fórmula?

Fórmula mesmo, não. Cada processo é um novo processo. É claro que a gente traz a nossa carga, o nosso histórico, nossas referências. Temos uma bagagem que é boa, que é gradual e que vem sendo desenvolvida. Mas também conversamos com a estética da peça. Por exemplo, no semestre passado trabalhamos com o texto que falava de um mágico, que era deprimido e virava um funcionário público. A partir disso, começamos a trabalhar com muitos exercícios de circo, de virtuose, de mãos, truque de mágica, olhares e espetacularidades; aquilo que achamos que seja apropriado para usar. Talvez essa seja a coisa liquidificadora de ser. E agora com Os Sete contra Tébas, temos que relacionar com tudo que passamos e a partir disso, o que usamos daquelas coisas? O que pode nos ajudar? O que podemos pegar dos outros processos? 
Dessa forma, nós partimos de um motivo, que no caso é o texto e o que a gente vê nele de potencial, dos contextos, e a partir disso a gente usa o que a gente já tem, o que a gente inventar e o que a gente ler. 
Por isso é como uma homenagem, não é uma destruição, mas sim uma desconstrução para reconstrução de um Ésquilo. Não estamos negando o texto, mas sim usando as potencialidades dele. Não usamos um texto que a gente não gosta, que não nos interessa e não nos provoque. Vamos pelo afeto, pela identificação com alguma coisa, mas não necessariamente com exatamente tudo, mas com alguma coisa que abriu nossos olhos, que nos interessou. 
Talvez seja refletir uma contemporaneidade que esteja velada, que não vemos muito em foco. Refletir isso no teatro que sempre refletiu a vida inteira. Dialogar com essa contemporaneidade de forma potente, de forma que afete os corpos que vão estar aqui e que vão estar performando. 

6 – Vocês pretendem usar elementos da encenação? (Iluminação, cenário, figurino)
Sempre. Aquilo que a gente falou: esses elementos da encenação compõem a dramaturgia também. Então partindo de um contexto que é um exercício de formação, ou seja, que não é uma montagem profissional ou comercial, não temos intenções de criar uma megaestrutura, mas nós envolvemos os alunos nesse processo da encenação, o que eles podem trazer, busca de materiais, e com isso, selecionamos o que vai enxertar a dramaturgia e a história. Propomos assim para que os alunos lidem cada vez mais com essa materialidade e com o que nós conseguimos agregar a partir disso nas construções.


7 - Como foi a primeira oficina e o que os motivou a fazer a segunda?

Nós não nos vemos necessariamente refletidos e contemplados artística e ideologicamente nas oficinas e nas opções de cursos de teatro que a cidade oferece. Visto isso, pensamos que de repente seria uma oportunidade de acrescentar. Foi um pouco uma preocupação com quem está entrando agora nesse mercado, com as experiências que influenciam muito nessa primeira formação, os tipos de estética que são trabalhadas. Mas eu (Fernando) não tenho uma formação em licenciatura, então dar aula não é uma coisa que eu quero para a minha vida, pelo menos não em um espaço formal. Mas claro que eu gosto muito de dar aula, a gente estuda isso, tem o cuidado de ir com calma e de fazer uma coisa bem estruturada.
Não acreditamos muito nesse tipo de relação que é "yang" de muitos métodos de ensino, que têm uma voz de comando absoluta. Gostamos dessa troca, de dar e receber algo em troca, algo mais relacional. Isso acaba sendo um grande aprendizado para nós. E os outros processos já participamos estão com a gente ainda, influenciam muito agora também. Tem essa carga que é da prática teatral, da relação da interpretação e da direção.

8 - Que tipo de abordagem cada um de vocês propõem? Há alguma divisão? 
Eu (Fernanda) geralmente oriento aquecimento e alongamento, o Fernando orienta os exercícios e a gente dirige junto a montagem. Mas dessa vez nós até estamos subvertendo mais essa divisão; vamos sentindo o fluxo. 

9 - Por que a escolha de um lugar não convencional e quando vocês vão começar a trabalhar fora da sala de aula?
Ainda é uma ideia, porque nós ainda não sabemos como eles vão responder, então vamos experimentando. Mas parte de como podemos criar novas relações com o expectador. De propor um formato que de alguma maneira pegue o público mais desarmado. É uma forma diferenciada de recepção, porque essa experiência frontal está muito codificada, os teatros são em maioria assim, então você sabe como se comportar. Quando a orientação muda, aí surgem novas formas de se relacionar que não é a de doutrinamento. Forma também é conteúdo, então a gente quer horizontalizar, trazer o público e os atores para o mesmo plano.
A relação com o espaço vai ser gradual, assim como todo o nosso processo tá sendo. Aula passada os alunos já começaram a conhecer o espaço, manusearam lanternas. Então aos poucos nós vamos estabelecendo esse contato.

10 - Por que vocês escolheram oferecer essa oficina para pessoas iniciantes?
Acho que ainda não estamos nesse lugar de dar aula para atores ou para universitários. Mas também porque vemos uma abertura nesse início, em pessoas que estão com ideias de teatro sem saber necessariamente o que é. Também para perceber como essas pessoas que não tiveram tanto contato com teatro antes, recebem nossas propostas, nossas ideias e linguagem.

#diariodebordo (12/09)

Percepções iniciais:
    - Conversa com Fernando: A ideia de 7 contra tebas se trata da utilização dos mitos arquetípicos da história. Os  diretores se mantém ainda tateando a energia coletiva da turma de amadores. 
 - A turma não é constante e é preciso enfrentar a rotatividade (turma com total de 19 alunos e a presença de 11) 
  - O objetivo principal seria preparar atores amadores para depois coletar deles o possível de materiais e a partir disso criar, colar, montar, recortar para a composição cênica.   
1ª Etapa:   Fernanda Alpino direciona o alongamento/aquecimento de consciência corporal. São exercícios básicos de alongamento (apoios, costas, pernas, enrosquinho, oposições, ligação da respiração com o movimento, o bocejo. Fernando surge com os alongamentos faciais, introduzindo na ideia de alongamento a possibilidade do grupo brincar com os desenhos que nosso rosto faz na movimentação desses músculos, Utilizaram de músicas de caráter ritualístico. E fizeram também aquecimento vocal com vocalizações, o som do “m”. E cantam “Marinheiro Só” em roda. Primeiramente todas cantam, depois dividem em naipes de mais graves e mais agudos.  
2ª Etapa :    Exercícios de reflexo,  coletividade e atenção   
  Exercício do Zip Zap
  Exercício do sim em roda  
São exercícios básicos, simples, mas que ainda fazem refletir na organização coletiva
Eu observei o quanto funciona quando o Fernando constata desvios no objetivo central  do grupo fazendo observações didáticas quanto ao caminho a ser traçado no jogo. 
3ª Etapa   Exercício de vivência e 7 anéis  
Fernando apontava ordenadamente cada anel do corpo humano. Anéis seriam formas de dividir nosso corpo: olhos, nariz, boca, pescoço, braços, tronco e pernas. Isso dava aos alunos um leque de possibilidades de personagens. E funcionava assim, primeiramente caminhando pelo espaco os alunos tinham a sua disposição várias roupas trazidas pelo grupo. Todos eles iam e pegavam aleatoriamente peças e acabavam compondo um personagem. Depois dessa lógica mais visual, a proposta seguinte era trabalhar em cada anel do nosso corpo. E a cada anel, eles passavam por uma investigação livre, a fixação de uma posição muscular para personagem criado a partir de um trabalho livre e de percepções pessoais. O jogo termina com um desfile de personas, como um espaço íntimo que cada um conseguiu construir.    
4ª Etapa:    Conversa em roda sem muitas hierarquias e tentativa de diálogo sobre percepções sobre a aula em si, com foco na vivência feita.